quinta-feira, 19 de maio de 2011

Mais um dia...

Então, mais uma vez enfrentei o medo, agarrei o telefone e liguei a médica. Mandou-me ir hj ao hospital para fazer análises e vêr como estão as coisas.

Bom, as plaquetas não estão lá grande coisa assim como os leocócitos, mas ela disse que não era pra me preocupar, eu sinceramente continuo preocupada, pois, sinto-me exatamente como me sentia na altura que descobri a doença, bom, o que eu podia fazer eu fiz, agora é  esperar.

Tem uma coisa que me incomoda muito quando vou ao hospital, é ficar sabendo que mais alguém foi vendido pela doença, fico ainda mais chateada quando é alguém que eu gosto, neste caso um jovem de mais ou menos uns 35 ou 37 anos, não mais do que isso, com uma esposa linda, carinhosa, com filhos adolescentes e cheio de vontade de viver. Que Deus conforte a sua familia e que descanse em paz.

Também descobri que uma querida amiga voltou ao hospital com uma recaída, apesar de tudo ela esta bem animada, é uma senhora de uma certa idade com 4 filhos, rimos muito, fiz-me de forte para não chorar, ela chorou e eu fiz de conta que não via, conversamos sobre futilidades, sobre a família, mas tbm sobre a nossa doença. Quando me despedi dei um abranço forte, e lhe disse que gosto muito dela, o que é realmente verdade. Estou cansada de perder pessoas que fazem parte da minha vida...força querida vais vencer!!!

Bom conforme as coisas forem evoluindo volto aqui!!!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

É tudo tão inconstante.

Tenho evitado falar sobre a doença, e por isso tenho me intertido com os bordados para os meus sobrinhos e o filho de uma amiga querida, me habilitei até a aprender crochet, ganhei de aniversário dos meus amigos mais queridos uma máquina de costura, não sei costurar NADA, mas força de vontade não me falta para aprender.

Estou bordando coisas bem lindinhas, é muito bom a cabeça não pensa em mais nada a não ser naquilo q estou fazendo, mas estou preocupada.

Na semana passada apareceu uma manchinha no meu braço, preferi ignorar e dizer q não era nada, e disse q se saisse mais eu ia ao médico, mas de quinta para cá tenho sentido um cansaço igual ao de quando "estava" doente, é um cansaço diferente, amolece o corpo, dói tudo ao mesmo tempo q não dói nada. Estou cheia de medo.

Na semana passada me esforcei mais com as caminhadas e talvés seja somente isso, por isso hoje fiz uma caminhada bem levezinha, pq eu estava caminhando cerca de 1 hora em ritmo acelerado. É horrivel essa incerteza, esse medo, essa angústia!!!!

Espero que passe e que não seja nada! Estou cansada de lutar quero minha vida de volta!!!!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

quinta-feira, 12 de maio de 2011

sábado, 9 de abril de 2011

Momento de desconcentração no Inatel Costa da Caparica.

Pelo Caminho....

Hoje decidi falar das pessoas que fazem parte da batalha, as que ficam pelo caminho, e as que deixam marcar profundas em nossas vidas.

Como sabem no hospital nunca ficamos só, no mesmo quarto são quatro camas, ou seja, é você e mais três, as vezes é felizmente e outras nem tanto. Tem sempre um que reclama da tv, da luz, tem os que por conta da doença perdem também a sanidade mental, e sinceramente acho que isso é muito triste, tem os que se não tomarem o banho primeiro ficam de mal o dia todo, os que não querem dormir, os que te perturbam mesmo dormindo, mas também tem os que são doces, os que mesmo com imensas dores se preocupam com você, os que te animam quando você chora, os que não te deixam desistir.

No primeiro internamento conheci muita gente, e sei que nunca as vou esquecer, a minha primeira experiência menos boa, foi a srª A. ela era muito caladinha, um rostinho meigo, mas com olhos triste, tinha uma filha muito amorosa, e foi a primeira morte que "presenciei", a cama dela era ao lado da minha, e é impressionante como de um dia para o outro vemos a pessoas definhar tão rapidamente, era uma senhora de idade avançada, e o coração dela comecou a bater bem devagarinho até que parou, acordei de madrugada quando ouvi o som do ziper fechando o saco em que a colocaram. Confesso que não é nada agradavel e que não nos acostumamos com essas perdas.

Para a cama da srª A. veio outra senhora, ai que compania agradavel, falante, animada, carequinha como todas nós, apesar de estar a lidar com uma recaída estava confiante, conversavamos muito, apesar da avançada idade a senhora tinha uma mente muito aberta e atualizada, muito ativa. Muitos enfermeiros quando souberam que ela estava lá novamente foram visitar, pois no seu internamento anterior ela tinha ficado em coma por 15 dias e saiu do hospital numa maca, voltou andando e falando normalmente e todos a abraçavam e diziam "esta Dona M.A é uma vencedora", acho que alguns a foram vêr mesmo por curiosidade. Ela algumas vezes me "impediu" de chorar, me deu forças e me animou, só por ela é que eu ficava até a meia noite e tal a vêr as novelas da TVI. Soube mais tarde que ela falecera, mas a guardo com muito carinho em meu coração.

Num dia ensolarado entra pelo meu quarto uma moça bem carequinha (como isso não fosse anormal) empurando seu boby( é aquele suporte do soro, os nossos tem rodinhas), com um mp3 toda animada a cantarolar, para na porta e diz: "vim conhecer quem me vai fazer compania nesta hospedagem", era a S. uma moça de 35 anos aproximadamente, com um filho pouco mais velho do que o meu, um marido carinhoso e que aparentava gostar muito dela, como eram de longe vinham aos domingos e passavam o dia todo lá. Mesmo nos piores dias a S. nunca estava mal disposta, era incrivel. Eu penso que não sou má paciente mas quase não saia do quarto, e ela não, passava o tempo andando de lá pra cá, falava com toda gente, cantarolava sem parar com seus fones do ouvido, tinha bom papo, era bonita, religiosa, membro ativo na comunidade aonde morava.

Para mim foi um dos piores momentos que passei, num dos últimos internamentos eu estava nas urgências do serviço de hematologia e lá não tem chuveiro, temos q tomar banho nos quartos de internamento, a auxiliar nos leva até lá, e quando entrei no quarto aonde estava a S. quase tive um treco, ela estava o dobro do tamanho (mas por estar inxada) somente de fraldas, com o oxigênio, toda manchada, olhou para mim e disse "olá Renata, tás boa?" eu disse que sim e perguntei como ela estava, ela me disse "estou ótima, logo isso passa".

Fui transferida para um quarto ao lado do dela, isso aconteceu numa terça e ela faleceu na noite de quinta para sexta, da minha cama eu ouvia os seus gemidos, e todas nós sabiamos o que estava para acontecer. Choramos, ficamos de luto.

Tocou-me por imensos motivos, mas acredito que me identifiquei muito com ela, por termos idades próximas, personalidades parecidas, filhos na mesma faixa etária, a doença era do mesmo tipo, ela era muito especial, todos sentimos muito a sua partida.

Tenho muitas outras histórias para contar, muitos outros personagens, guardo-os com carinho em meu coração.

Numa próxima oportunidade falo de outras histórias.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Um pequeno fator.

Bom já veio o resultado de compatibilidade das minhas irmãs, e infelizmente não são compativeis comigo. Desta vez estava preparada para qualquer resposta então foi mais fácil de aceitar, o que me incomoda é o Fator Surpresa, detesto ser pega desprevinida.

Estou a espera do que minha médica decidir, se avançamos para a lista de doadores ou se mantem como esta e vou fazendo as manutenções, ela me disse que há muitas pessoas na mesma situação que a minha e que fazem a vida normal. É tudo que estou esperando uma "definição" neste mar de indefinições. Quero poder procurar trabalho e tentar também retomar a minha vida.

Eu descobri que gosto de ficar em casa, na minha tranquilidade, com os meus singelos bordados, as descobertas culinárias e o desafio de aprender artesanato sozinha ou quase sozinha - sempre há a internet para ajudar - o que eu não gosto é de não ter um salário, hihihi. Por mais que se tenha um dinheirinho nunca é meu, eu sei das necessidades da minha casa, então não posso fazer o que me apetece. Não que me falte alguma coisa, não é isso, é que temos as coisas bem controladinhas e uma verbazinha a mais sempre ajuda.

Estou muito mais tranquila, aos poucos vou perdendo peso pq não posso me aventurar em regimes malucos e muito menos em exercícios físicos em demasia, devegar também se vai ao longe! Tentando manter a boca fechada para doces, e refris, já ajuda muito, caminhada leve quando não esta ventoso é de grande ajuda.

Muitas vezes penso em escrever, tenho a cabeça num turbilhão, mas quando sento-me a frente do pc, pronto, dá-me uma branca!!!

Inté!