Tenho evitado falar sobre a doença, e por isso tenho me intertido com os bordados para os meus sobrinhos e o filho de uma amiga querida, me habilitei até a aprender crochet, ganhei de aniversário dos meus amigos mais queridos uma máquina de costura, não sei costurar NADA, mas força de vontade não me falta para aprender.
Estou bordando coisas bem lindinhas, é muito bom a cabeça não pensa em mais nada a não ser naquilo q estou fazendo, mas estou preocupada.
Na semana passada apareceu uma manchinha no meu braço, preferi ignorar e dizer q não era nada, e disse q se saisse mais eu ia ao médico, mas de quinta para cá tenho sentido um cansaço igual ao de quando "estava" doente, é um cansaço diferente, amolece o corpo, dói tudo ao mesmo tempo q não dói nada. Estou cheia de medo.
Na semana passada me esforcei mais com as caminhadas e talvés seja somente isso, por isso hoje fiz uma caminhada bem levezinha, pq eu estava caminhando cerca de 1 hora em ritmo acelerado. É horrivel essa incerteza, esse medo, essa angústia!!!!
Espero que passe e que não seja nada! Estou cansada de lutar quero minha vida de volta!!!!
Este espaço é um lugar para desabafos, partilhas, novos conhecimento e principalmente para novas amizades!
segunda-feira, 16 de maio de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
quinta-feira, 12 de maio de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
Pelo Caminho....
Hoje decidi falar das pessoas que fazem parte da batalha, as que ficam pelo caminho, e as que deixam marcar profundas em nossas vidas.
Como sabem no hospital nunca ficamos só, no mesmo quarto são quatro camas, ou seja, é você e mais três, as vezes é felizmente e outras nem tanto. Tem sempre um que reclama da tv, da luz, tem os que por conta da doença perdem também a sanidade mental, e sinceramente acho que isso é muito triste, tem os que se não tomarem o banho primeiro ficam de mal o dia todo, os que não querem dormir, os que te perturbam mesmo dormindo, mas também tem os que são doces, os que mesmo com imensas dores se preocupam com você, os que te animam quando você chora, os que não te deixam desistir.
No primeiro internamento conheci muita gente, e sei que nunca as vou esquecer, a minha primeira experiência menos boa, foi a srª A. ela era muito caladinha, um rostinho meigo, mas com olhos triste, tinha uma filha muito amorosa, e foi a primeira morte que "presenciei", a cama dela era ao lado da minha, e é impressionante como de um dia para o outro vemos a pessoas definhar tão rapidamente, era uma senhora de idade avançada, e o coração dela comecou a bater bem devagarinho até que parou, acordei de madrugada quando ouvi o som do ziper fechando o saco em que a colocaram. Confesso que não é nada agradavel e que não nos acostumamos com essas perdas.
Para a cama da srª A. veio outra senhora, ai que compania agradavel, falante, animada, carequinha como todas nós, apesar de estar a lidar com uma recaída estava confiante, conversavamos muito, apesar da avançada idade a senhora tinha uma mente muito aberta e atualizada, muito ativa. Muitos enfermeiros quando souberam que ela estava lá novamente foram visitar, pois no seu internamento anterior ela tinha ficado em coma por 15 dias e saiu do hospital numa maca, voltou andando e falando normalmente e todos a abraçavam e diziam "esta Dona M.A é uma vencedora", acho que alguns a foram vêr mesmo por curiosidade. Ela algumas vezes me "impediu" de chorar, me deu forças e me animou, só por ela é que eu ficava até a meia noite e tal a vêr as novelas da TVI. Soube mais tarde que ela falecera, mas a guardo com muito carinho em meu coração.
Num dia ensolarado entra pelo meu quarto uma moça bem carequinha (como isso não fosse anormal) empurando seu boby( é aquele suporte do soro, os nossos tem rodinhas), com um mp3 toda animada a cantarolar, para na porta e diz: "vim conhecer quem me vai fazer compania nesta hospedagem", era a S. uma moça de 35 anos aproximadamente, com um filho pouco mais velho do que o meu, um marido carinhoso e que aparentava gostar muito dela, como eram de longe vinham aos domingos e passavam o dia todo lá. Mesmo nos piores dias a S. nunca estava mal disposta, era incrivel. Eu penso que não sou má paciente mas quase não saia do quarto, e ela não, passava o tempo andando de lá pra cá, falava com toda gente, cantarolava sem parar com seus fones do ouvido, tinha bom papo, era bonita, religiosa, membro ativo na comunidade aonde morava.
Para mim foi um dos piores momentos que passei, num dos últimos internamentos eu estava nas urgências do serviço de hematologia e lá não tem chuveiro, temos q tomar banho nos quartos de internamento, a auxiliar nos leva até lá, e quando entrei no quarto aonde estava a S. quase tive um treco, ela estava o dobro do tamanho (mas por estar inxada) somente de fraldas, com o oxigênio, toda manchada, olhou para mim e disse "olá Renata, tás boa?" eu disse que sim e perguntei como ela estava, ela me disse "estou ótima, logo isso passa".
Fui transferida para um quarto ao lado do dela, isso aconteceu numa terça e ela faleceu na noite de quinta para sexta, da minha cama eu ouvia os seus gemidos, e todas nós sabiamos o que estava para acontecer. Choramos, ficamos de luto.
Tocou-me por imensos motivos, mas acredito que me identifiquei muito com ela, por termos idades próximas, personalidades parecidas, filhos na mesma faixa etária, a doença era do mesmo tipo, ela era muito especial, todos sentimos muito a sua partida.
Tenho muitas outras histórias para contar, muitos outros personagens, guardo-os com carinho em meu coração.
Numa próxima oportunidade falo de outras histórias.
Como sabem no hospital nunca ficamos só, no mesmo quarto são quatro camas, ou seja, é você e mais três, as vezes é felizmente e outras nem tanto. Tem sempre um que reclama da tv, da luz, tem os que por conta da doença perdem também a sanidade mental, e sinceramente acho que isso é muito triste, tem os que se não tomarem o banho primeiro ficam de mal o dia todo, os que não querem dormir, os que te perturbam mesmo dormindo, mas também tem os que são doces, os que mesmo com imensas dores se preocupam com você, os que te animam quando você chora, os que não te deixam desistir.
No primeiro internamento conheci muita gente, e sei que nunca as vou esquecer, a minha primeira experiência menos boa, foi a srª A. ela era muito caladinha, um rostinho meigo, mas com olhos triste, tinha uma filha muito amorosa, e foi a primeira morte que "presenciei", a cama dela era ao lado da minha, e é impressionante como de um dia para o outro vemos a pessoas definhar tão rapidamente, era uma senhora de idade avançada, e o coração dela comecou a bater bem devagarinho até que parou, acordei de madrugada quando ouvi o som do ziper fechando o saco em que a colocaram. Confesso que não é nada agradavel e que não nos acostumamos com essas perdas.
Para a cama da srª A. veio outra senhora, ai que compania agradavel, falante, animada, carequinha como todas nós, apesar de estar a lidar com uma recaída estava confiante, conversavamos muito, apesar da avançada idade a senhora tinha uma mente muito aberta e atualizada, muito ativa. Muitos enfermeiros quando souberam que ela estava lá novamente foram visitar, pois no seu internamento anterior ela tinha ficado em coma por 15 dias e saiu do hospital numa maca, voltou andando e falando normalmente e todos a abraçavam e diziam "esta Dona M.A é uma vencedora", acho que alguns a foram vêr mesmo por curiosidade. Ela algumas vezes me "impediu" de chorar, me deu forças e me animou, só por ela é que eu ficava até a meia noite e tal a vêr as novelas da TVI. Soube mais tarde que ela falecera, mas a guardo com muito carinho em meu coração.
Num dia ensolarado entra pelo meu quarto uma moça bem carequinha (como isso não fosse anormal) empurando seu boby( é aquele suporte do soro, os nossos tem rodinhas), com um mp3 toda animada a cantarolar, para na porta e diz: "vim conhecer quem me vai fazer compania nesta hospedagem", era a S. uma moça de 35 anos aproximadamente, com um filho pouco mais velho do que o meu, um marido carinhoso e que aparentava gostar muito dela, como eram de longe vinham aos domingos e passavam o dia todo lá. Mesmo nos piores dias a S. nunca estava mal disposta, era incrivel. Eu penso que não sou má paciente mas quase não saia do quarto, e ela não, passava o tempo andando de lá pra cá, falava com toda gente, cantarolava sem parar com seus fones do ouvido, tinha bom papo, era bonita, religiosa, membro ativo na comunidade aonde morava.
Para mim foi um dos piores momentos que passei, num dos últimos internamentos eu estava nas urgências do serviço de hematologia e lá não tem chuveiro, temos q tomar banho nos quartos de internamento, a auxiliar nos leva até lá, e quando entrei no quarto aonde estava a S. quase tive um treco, ela estava o dobro do tamanho (mas por estar inxada) somente de fraldas, com o oxigênio, toda manchada, olhou para mim e disse "olá Renata, tás boa?" eu disse que sim e perguntei como ela estava, ela me disse "estou ótima, logo isso passa".
Fui transferida para um quarto ao lado do dela, isso aconteceu numa terça e ela faleceu na noite de quinta para sexta, da minha cama eu ouvia os seus gemidos, e todas nós sabiamos o que estava para acontecer. Choramos, ficamos de luto.
Tocou-me por imensos motivos, mas acredito que me identifiquei muito com ela, por termos idades próximas, personalidades parecidas, filhos na mesma faixa etária, a doença era do mesmo tipo, ela era muito especial, todos sentimos muito a sua partida.
Tenho muitas outras histórias para contar, muitos outros personagens, guardo-os com carinho em meu coração.
Numa próxima oportunidade falo de outras histórias.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Um pequeno fator.
Bom já veio o resultado de compatibilidade das minhas irmãs, e infelizmente não são compativeis comigo. Desta vez estava preparada para qualquer resposta então foi mais fácil de aceitar, o que me incomoda é o Fator Surpresa, detesto ser pega desprevinida.
Estou a espera do que minha médica decidir, se avançamos para a lista de doadores ou se mantem como esta e vou fazendo as manutenções, ela me disse que há muitas pessoas na mesma situação que a minha e que fazem a vida normal. É tudo que estou esperando uma "definição" neste mar de indefinições. Quero poder procurar trabalho e tentar também retomar a minha vida.
Eu descobri que gosto de ficar em casa, na minha tranquilidade, com os meus singelos bordados, as descobertas culinárias e o desafio de aprender artesanato sozinha ou quase sozinha - sempre há a internet para ajudar - o que eu não gosto é de não ter um salário, hihihi. Por mais que se tenha um dinheirinho nunca é meu, eu sei das necessidades da minha casa, então não posso fazer o que me apetece. Não que me falte alguma coisa, não é isso, é que temos as coisas bem controladinhas e uma verbazinha a mais sempre ajuda.
Estou muito mais tranquila, aos poucos vou perdendo peso pq não posso me aventurar em regimes malucos e muito menos em exercícios físicos em demasia, devegar também se vai ao longe! Tentando manter a boca fechada para doces, e refris, já ajuda muito, caminhada leve quando não esta ventoso é de grande ajuda.
Muitas vezes penso em escrever, tenho a cabeça num turbilhão, mas quando sento-me a frente do pc, pronto, dá-me uma branca!!!
Inté!
Estou a espera do que minha médica decidir, se avançamos para a lista de doadores ou se mantem como esta e vou fazendo as manutenções, ela me disse que há muitas pessoas na mesma situação que a minha e que fazem a vida normal. É tudo que estou esperando uma "definição" neste mar de indefinições. Quero poder procurar trabalho e tentar também retomar a minha vida.
Eu descobri que gosto de ficar em casa, na minha tranquilidade, com os meus singelos bordados, as descobertas culinárias e o desafio de aprender artesanato sozinha ou quase sozinha - sempre há a internet para ajudar - o que eu não gosto é de não ter um salário, hihihi. Por mais que se tenha um dinheirinho nunca é meu, eu sei das necessidades da minha casa, então não posso fazer o que me apetece. Não que me falte alguma coisa, não é isso, é que temos as coisas bem controladinhas e uma verbazinha a mais sempre ajuda.
Estou muito mais tranquila, aos poucos vou perdendo peso pq não posso me aventurar em regimes malucos e muito menos em exercícios físicos em demasia, devegar também se vai ao longe! Tentando manter a boca fechada para doces, e refris, já ajuda muito, caminhada leve quando não esta ventoso é de grande ajuda.
Muitas vezes penso em escrever, tenho a cabeça num turbilhão, mas quando sento-me a frente do pc, pronto, dá-me uma branca!!!
Inté!
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Tudo certo e nada resolvido!
No passado dia 19.02 foi realizada uma campanha para vêr possíveis doadores de medula compativeis comigo. Fiquei surpresa com algumas pessoas que apareceram por lá, nossa fiquei mesmo muito contente!
Na sexta tive consulta e estou a espera da resposta dos exames das minhas irmãs, a minha médica disse-me que ainda esta tudo por resolver, mas ela disse que há a possibilidade de não haver transplante, nem sei se fico contente ou preocupada com essa situação.
Queria adormecer e acordar no outro dia e achar que tudo não passou de um sonho.
Hoje estou sem "palpite" para escrever.
:(
Na sexta tive consulta e estou a espera da resposta dos exames das minhas irmãs, a minha médica disse-me que ainda esta tudo por resolver, mas ela disse que há a possibilidade de não haver transplante, nem sei se fico contente ou preocupada com essa situação.
Queria adormecer e acordar no outro dia e achar que tudo não passou de um sonho.
Hoje estou sem "palpite" para escrever.
:(
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